Como os nutrientes e nossa alimentação podem reduzir o risco de depressão?

Por Danielle Fontes

Cerca de 6% da população mundial tem um transtorno depressivo. O Brasil é o 3° país com maior número de indivíduos com depressão.  A depressão além de causar profundos efeitos na capacidade funcional e na qualidade de vida dos sujeitos afetados, tem um grande impacto no risco de mortalidade por suicídio, doenças cardiovasculares entre outras.

De acordo com Sociedade internacional de Pesquisa em Nutrição e Psiquiatria embora os avanços nas pesquisas científicas relacionadas à nutrição e psiquiatria sejam recentes, estamos num estágio em que esses estudos não podem mais ser ignorados.

Diversos autores já comprovaram que o aumento da gravidade da depressão ocorre quando: a ingestão de gordura saturada e açúcares é excessiva; e quando o consumo de alimentos açucarados se associa com a redução da ingestão de antioxidantes, frutas e vegetais. Demonstrando uma conexão enorme entre o que comemos e como nos sentimos psico -emocionalmente.

Inclusive, mudança no apetite é um dos principais sintomas da depressão, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos. Outros sintomas depressivos, como redução de energia e falta de interesse em atividades, podem influenciar a qualidade da dieta por falta de energia / motivação para preparar ou desfrutar as refeições. Portanto, é concebível que o transtorno depressivo possa afetar as escolhas alimentares.

No entanto, a associação entre depressão e qualidade da dieta é complexa e provavelmente bidirecional, visto que muitos estudos mostram que dietas mais saudáveis ​​estão associadas a um risco menor de desenvolver depressão. Outros transtornos de ansiedade também podem afetar a ingestão alimentar.

Além dos fatores dietéticos, sabemos o quanto a microbiota intestinal pode interferir na nossa saúde. As pesquisas emergentes sugerem que o eixo microbioma-intestino-cérebro é de relevância substancial para o humor e o comportamento.

Existem também associações entre a ingestão de nutrientes dietéticos, como zinco, magnésio, vitaminas do complexo B, azeite extra virgem, consumo de frutos do mar ou peixes redução do risco de depressão.

Outro nutriente essencial são os ácidos graxos poli-insaturados ômega-3. São lipídeos (gorduras) considerados promissores para o tratamento da depressão. Estudo recente, foi realizada uma meta-análise incluindo 4.605 pacientes idosos. Esses resultados foram divididos em 2 categorias: grupo de saúde mental e bem-estar e o grupo de depressão. No grupo de saúde mental e bem-estar os dados mostraram que nenhum efeito da suplementação de ômega 3 foi observado no humor desses pacientes. No entanto, no grupo com depressão, a suplementação de ômega 3, teve um grande efeito, significativo, na melhora da depressão.

Uma especiaria bem conhecida, o açafrão, derivada da flor do Crocus sativus, passou agora por vários testes que examinam seus efeitos antidepressivos e, em uma meta-análise recente, foi confirmado como eficaz no tratamento da depressão. Nos estudos de comparação com placebo, o açafrão teve grandes efeitos no tratamento e, quando comparado com medicamentos antidepressivos, teve eficácia antidepressiva semelhante. Os efeitos antidepressivos do açafrão são potencialmente devidos aos seus efeitos serotoninérgicos, antioxidantes, anti-inflamatórios, neuroendócrinos e neuro protetores.

Vale a pena lembrar que o triptofano, aminoácido essencial, é fundamental para a produção de serotonina (hormônio do bem estar). Sendo esse hormônio, o principal relacionado com a fisiopatologia da depressão. Ou seja, níveis baixos de triptofano na dieta estão associados com um aumento do risco de depressão. Inclusive muitas vezes, associado a medicação prescrita pelo médico, pode ser feita a suplementação do triptofano na forma de 5-HTP para melhora dos sintomas da depressão.

Percebemos dessa forma, o quanto é essencial termos uma alimentação saudável e equilibrada, para que o nosso corpo consiga todos os nutrientes e substratos para um bom funcionamento cerebral. Finalmente, focamos no sentido que o ser humano é complexo, com diversas camadas, entre elas o físico, emocional e psíquico. E que devemos sempre buscar ajuda médica e de profissionais da saúde ( nutricionista, fisioterapeuta etc ) para um manejo adequado da nossa relação saúde-doença.

Referências bibliográficas:

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